sábado, 13 de agosto de 2016

Seleção feminina de futebol - Bárbara fecha a vaga e Marta deixa recado

Marta e Bárbara se abraçam após a classificação brasileira (Foto: Pedro Vilela/Getty Images)

Um jogo que poderia ter outra história se não fosse o espírito de coletividade que se vê na seleção feminina de futebol,  e há tempos não tem nem sombra na masculina.

A Marta não fechou a série, mas com tudo que ela já fez e a todos que superou não é o fim do mundo. No final a Bárbara assumiu a conta e ganhou pela Marta e pelo time, e creio que pelos brasileiros (o que não é muito justo, pois boa parte de nós sempre fez pouco delas. Eu estiva nessa última parte até antes das olimpíadas e peço minhas desculpas.

Meninas, vocês nos fazem a cada jogo sentir o prazer de assistir o bom futebol nacional há anos perdido em algum lugar pela seleção masculina.

Confira a mensagem da Marta.
As pernas pesavam e doíam enquanto eu caminhava do meio do campo até a marca da cal. Era o quinto pênalti, para fechar uma série perfeita das minhas companheiras – elas acertaram tudo! Antes disso, mais de duas horas de futebol, disputadas em uma intensidade que só uma partida de quartas de final de uma Olimpíada no Brasil poderia proporcionar. Deixamos no gramado do Mineirão tudo aquilo que possuímos: todas as nossas gotas de suor, todo o nosso ar, todo o nosso coração. O futebol não quis que a partida se resolvesse nos 90 minutos – e nem na meia hora seguinte, de uma cruel prorrogação.
Isso tudo estava na minha cabeça quando arrumei a bola, corri e bati no canto direito da goleira. Quis fugir do famoso "canto do canhoto", mas a bola acabou saindo mais fraca do que imaginei. Ela acertou o canto, eu errei a cobrança.
Não podia acreditar. O Brasil não merecia aquele destino. Refiz o caminho entre a área e o meio de campo derrotada, com o peso da possível decepção dos mais de 50 mil torcedores nas costas. Se a australiana marcasse, era o fim. Ajoelhei. De lá, vi a Bárbara pular para o mesmo lado que eu tinha acabado de escolher equivocadamente e espantar a bola para longe da nossa meta. O ar voltou. De verdade, eu já sabia: iríamos vencer a disputa.
Com mais um milagre da Bárbara, minha certeza se concretizou. A resenha depois do jogo foi muito marcada pelos agradecimentos à Bárbara. Ela fez questão de me dar força, e relembrou do amistoso que disputamos contra a mesma Austrália em julho. Naquele jogo, nossa craque das metas acabou falhando. Corremos muito atrás do resultado e conseguimos virar o placar por 3 a 1. É disso que uma equipe (seja representando um clube, um país ou uma empresa) é feita. O alicerce básico de um time é a cumplicidade.
Esse espírito de equipe é que faz os talentos de cada um aparecer de verdade. Para alcançar os objetivos e metas, é preciso que todos estejam remando para o mesmo lado. Mais do que isso, é preciso que cada um olhe não só para o próprio desempenho, mas também para o do outro.
Se alguém erra ou entrega menos do que for proposto, é preciso que os outros membros da equipe se doem ainda mais.
Quando a Bárbara falhou contra a Austrália, no amistoso em julho, me motivei ainda mais naquela partida. Sentia que não poderia deixar nossa goleira ficar marcada por um erro. Tenho certeza absoluta de que o pênalti que eu chutei nas mãos da goleira australiana serviu de combustível para a Bárbara salvar o jogo.
O espírito de equipe é fundamental para o pleno exercício, em excelência, da liderança em um time. Um líder precisa saber endossar – da forma mais fiel possível – a palavra "cumplicidade" na rotina do trabalho em equipe. No nosso caso, cumplicidade com o time e com o povo brasileiro!
Nas quartas-de-final das Olimpíadas, eu me senti retribuída da forma mais honrosa e pura. Foi contagiante e mágico.
Obrigada, Bárbara! Obrigada, time! Obrigada, Brasil! 



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